O que é a Nefropatia por IgA?
A Nefropatia por IgA, também conhecida como Doença de Berger, é a glomerulonefrite primária mais comum no mundo. Ela acontece quando uma forma anormal de imunoglobulina A (IgA) se deposita nos glomérulos — as estruturas dos rins responsáveis por filtrar o sangue —, desencadeando um processo de inflamação que pode, ao longo do tempo, comprometer a função renal.
É uma condição de curso bastante variável: alguns pacientes apresentam uma evolução leve e estável por décadas, enquanto outros apresentam progressão mais rápida para doença renal crônica. Por isso, identificar o perfil de cada paciente é essencial para definir a conduta.
Sintomas mais comuns
- Sangue na urina (hematúria), muitas vezes visível a olho nu, frequentemente associada a um resfriado, gripe ou infecção de garganta recente
- Sangue na urina identificado apenas em exame laboratorial, sem sintomas visíveis
- Proteinúria descoberta em exames de rotina, sem qualquer sintoma
- Inchaço leve, em fases mais avançadas
- Pressão arterial elevada
Um sinal característico é a hematúria aparecer poucos dias depois de uma infecção respiratória ou gastrointestinal — diferente de outras doenças renais, em que o intervalo costuma ser maior.
Causas
A causa exata ainda não é totalmente compreendida, mas envolve uma resposta imunológica alterada, em que uma forma de IgA com estrutura anômala se deposita nos rins e ativa uma cascata inflamatória. Fatores genéticos e ambientais parecem influenciar o risco de desenvolver a doença.
Diagnóstico
A suspeita costuma surgir a partir de exames de urina alterados (sangue e proteína) e exames de sangue para avaliar a função renal. A confirmação diagnóstica, no entanto, depende de biópsia renal, que permite identificar os depósitos de IgA no tecido do rim e avaliar o grau de comprometimento — informação importante para definir o tratamento e o prognóstico.
Importante: nem todo paciente com Nefropatia por IgA evolui para doença renal avançada. O acompanhamento nefrológico regular permite identificar precocemente sinais de progressão e ajustar o tratamento a tempo.
Tratamento e acompanhamento
O tratamento de base costuma envolver o controle rigoroso da pressão arterial e medicações que bloqueiam o sistema renina-angiotensina, reduzindo a proteinúria e protegendo a função renal. Em pacientes selecionados, inibidores de SGLT2 também têm papel comprovado nesse controle.
Para casos que continuam com proteinúria significativa mesmo com o tratamento otimizado, existem hoje novas opções terapêuticas complementares, incluindo medicações mais recentes que atuam por mecanismos diferentes do tratamento tradicional. A decisão sobre quando e como usá-las deve ser sempre individualizada, com acompanhamento nefrológico próximo.
Não há vídeo sobre esse tema ainda, mas no Instagram do Dr. Pedro Mendes você confere uma atualização sobre uma nova opção de tratamento para a Nefropatia por IgA.
Quando procurar um nefrologista
Episódios de sangue na urina, mesmo que passageiros, alterações em exames de rotina (sangue ou proteína na urina) ou pressão alta de início recente são sinais que merecem avaliação nefrológica. Quanto mais cedo a Nefropatia por IgA é identificada, maiores as chances de preservar a função dos rins a longo prazo.