O que é a Síndrome Nefrótica?
A Síndrome Nefrótica não é uma doença única, mas um conjunto de sinais que aparece quando os glomérulos — as estruturas dos rins responsáveis por filtrar o sangue — sofrem algum tipo de dano e passam a deixar proteínas vazarem para a urina em quantidade muito maior do que o normal.
Esse vazamento de proteína (principalmente albumina) leva a uma sequência de alterações no corpo: queda da proteína no sangue, retenção de líquido com inchaço visível e aumento do colesterol. É esse conjunto de quatro sinais que caracteriza a síndrome.
Os quatro sinais que definem a síndrome
- Proteinúria maciça: perda de grande quantidade de proteína pela urina
- Hipoalbuminemia: queda da albumina (principal proteína do sangue)
- Edema: inchaço, principalmente nas pernas, tornozelos e ao redor dos olhos
- Hiperlipidemia: aumento do colesterol e dos triglicerídeos
Causas
A Síndrome Nefrótica pode ter origem primária, quando o problema começa no próprio rim — como na doença de lesões mínimas (mais comum em crianças), na glomeruloesclerose segmentar e focal ou na nefropatia membranosa —, ou origem secundária, quando é consequência de outra condição, como diabetes, lúpus, infecções ou uso de certos medicamentos.
Identificar a causa exata é uma etapa fundamental, porque o tratamento e o prognóstico variam bastante de acordo com ela.
Sintomas mais comuns
- Inchaço ao redor dos olhos, principalmente ao acordar
- Inchaço nas pernas, tornozelos e pés
- Urina com espuma, por causa do excesso de proteína
- Ganho de peso rápido pela retenção de líquido
- Cansaço e perda de apetite
Atenção: a Síndrome Nefrótica não deve ser confundida com a Síndrome Nefrítica, outro quadro renal que cursa mais com sangue na urina e pressão alta do que com inchaço e proteinúria maciça. São condições diferentes, com investigação e tratamento distintos.
Possíveis complicações
Por causa da perda de proteínas importantes para o corpo, a Síndrome Nefrótica pode aumentar o risco de infecções, de formação de coágulos (tromboses) e de complicações cardiovasculares relacionadas ao colesterol elevado. Por isso, o acompanhamento não deve olhar apenas para o rim, mas para o paciente como um todo.
Diagnóstico
O diagnóstico começa por exames de urina (para quantificar a proteinúria) e de sangue (albumina, colesterol, função renal). Para definir a causa exata, muitas vezes é necessária uma biópsia renal — um procedimento que permite examinar o tecido do rim diretamente e direcionar o tratamento mais adequado.
Tratamento e acompanhamento
O tratamento é individualizado e depende da causa identificada, mas costuma envolver:
- Medicações para reduzir a proteinúria e proteger a função renal
- Corticoide ou imunossupressores, em casos selecionados
- Diuréticos para controlar o inchaço
- Controle do colesterol
- Ajustes na alimentação, incluindo redução de sódio
- Tratamento da doença de base, quando a síndrome é secundária
Em crianças, a resposta ao tratamento costuma ser boa, especialmente na doença de lesões mínimas. Em adultos, o acompanhamento tende a ser mais prolongado e individualizado.
No Instagram do Dr. Pedro Mendes, tem um vídeo especial feito em parceria explicando a Síndrome Nefrótica a partir de uma história real — vale a pena conferir para entender ainda melhor a condição.
Quando procurar um nefrologista
Inchaço persistente nas pernas ou ao redor dos olhos, urina com espuma constante ou ganho de peso rápido sem explicação são sinais que merecem avaliação nefrológica. Quanto mais cedo a investigação começa, mais rápido é possível identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.