Tratamento e acompanhamento

Como funciona a hemodiálise? É para o resto da vida?

Entenda o que acontece durante a diálise e em que situações ela pode deixar de ser necessária.

O que a hemodiálise faz, na prática

Quando os rins perdem a maior parte da sua capacidade de filtrar o sangue, toxinas, sal e água em excesso se acumulam no corpo. A hemodiálise é um processo que faz esse papel artificialmente: o sangue é retirado do corpo, passa por um filtro (o dialisador) que remove as toxinas e o excesso de líquido, e retorna limpo à circulação. As sessões costumam durar cerca de 4 horas, geralmente três vezes por semana, feitas em clínica especializada.

Hemodiálise e diálise peritoneal: duas formas diferentes

Hemodiálise

Filtra o sangue fora do corpo, através de uma máquina, geralmente em clínica, três vezes por semana, com acesso vascular (fístula ou cateter).

Diálise peritoneal

Usa o próprio revestimento interno do abdômen (peritônio) como filtro natural, com trocas de líquido feitas em casa, diariamente, com maior flexibilidade de rotina.

A escolha entre as duas depende de fatores clínicos, do estilo de vida da pessoa e de sua preferência, sempre discutida com o nefrologista.

É para sempre?

Depende da causa da insuficiência renal. Quando a perda de função é definitiva — como na maioria dos casos de doença renal crônica avançada — a diálise costuma ser necessária de forma contínua, a menos que a pessoa receba um transplante renal, que pode substituir a função dos rins e, quando bem-sucedido, eliminar a necessidade de diálise. Já em casos de lesão renal aguda (uma queda súbita e potencialmente reversível da função renal, por exemplo após uma infecção grave ou desidratação severa), a diálise pode ser temporária, usada apenas até os rins se recuperarem.

A decisão entre diálise contínua e a possibilidade de transplante é individual e depende de diversos fatores clínicos — vale sempre conversar abertamente com o nefrologista sobre as opções disponíveis para o seu caso.

O papel do transplante renal

O transplante é considerado, quando possível, a opção que oferece melhor qualidade de vida a longo prazo em comparação com a diálise contínua, embora exija avaliação cuidadosa de compatibilidade, disponibilidade de doador e uso de medicações imunossupressoras pelo resto da vida. Nem todo paciente em diálise é candidato a transplante, e essa avaliação é feita caso a caso. Veja também todo mundo com insuficiência renal precisa de diálise?, que explica as fases da doença renal crônica antes da diálise.

Perguntas frequentes

A hemodiálise dói?

O procedimento em si costuma ser indolor, embora a inserção das agulhas no acesso vascular possa causar um desconforto breve. A maioria dos pacientes se adapta bem à rotina das sessões.

Quem faz diálise pode continuar trabalhando?

Muitos pacientes mantêm suas atividades profissionais, ajustando horários das sessões. A diálise peritoneal, por ser feita em casa, costuma oferecer mais flexibilidade de rotina.

Quanto tempo uma pessoa pode viver fazendo diálise?

Com acompanhamento adequado, muitos pacientes vivem anos ou décadas em diálise. A expectativa varia conforme idade, causa da doença renal e presença de outras condições de saúde.

Todo paciente em diálise pode ser transplantado?

Não. A elegibilidade para transplante depende de uma avaliação médica individual, considerando condições de saúde gerais, compatibilidade e outros fatores clínicos.

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Escrito por Dr. Pedro Mendes Filho
Nefrologista em Brasília · CRM-DF 15003 · RQE 10584
Coordenador de Nefrologia do Hospital Brasília e Diretor Científico da SBN-DF. Conheça o Dr. Pedro →