A dieta na doença renal crônica é mais sobre equilíbrio do que sobre proibições absolutas. Veja o que realmente merece atenção.
Diferente do que muita gente imagina, a dieta na doença renal crônica não é a mesma para todos os pacientes — ela depende do estágio da doença, dos resultados de exames de sangue (principalmente potássio e fósforo) e de condições associadas, como diabetes ou hipertensão. Ainda assim, existem alguns grupos de alimentos que costumam exigir atenção especial na maioria dos casos mais avançados.
Presente em excesso em ultraprocessados, refrigerantes escuros, embutidos e queijos amarelos. Em excesso, contribui para problemas ósseos e cardiovasculares.
Presente em banana, laranja, tomate, batata e feijão. Em fases avançadas, o excesso pode causar alterações graves no ritmo cardíaco.
Presente no sal de cozinha e em grande quantidade em alimentos industrializados. O excesso contribui para hipertensão e retenção de líquido.
Costumam reunir os três problemas anteriores ao mesmo tempo — sódio, fósforo e aditivos — sendo o grupo mais recomendado para reduzir de forma geral.
Rins saudáveis eliminam o excesso de potássio e fósforo pela urina sem dificuldade. Quando a função renal cai de forma importante, esses minerais podem se acumular no sangue. O potássio elevado (hipercalemia) é particularmente perigoso porque pode causar arritmias cardíacas graves, muitas vezes sem sintomas de alerta. O fósforo elevado, por sua vez, contribui a longo prazo para problemas ósseos e calcificação de vasos sanguíneos.
Nos estágios iniciais da doença renal crônica (1 a 3), a dieta costuma ser mais próxima de uma alimentação saudável geral, com atenção ao sal e a ultraprocessados. Restrições mais rígidas de potássio e fósforo costumam ser necessárias apenas em estágios mais avançados (4 e 5) ou quando os exames de sangue já mostram alteração desses minerais — por isso, restringir alimentos sem necessidade real pode até ser prejudicial, ao limitar nutrientes importantes sem benefício.
A dieta na doença renal crônica deve ser sempre individualizada, de preferência com apoio de nutricionista especializado, com base nos exames de sangue de cada paciente — evite cortar grupos inteiros de alimentos por conta própria.
Reduzir o consumo de ultraprocessados e sal adicionado é uma medida segura para praticamente todos os estágios da doença. Já a restrição de potássio e fósforo deve ser ajustada com base em exames de sangue periódicos e orientação de nutricionista ou nefrologista. Veja também todo mundo com insuficiência renal precisa de diálise?, que explica as fases da doença renal crônica e o tratamento conservador.
Depende do estágio da doença e dos níveis de potássio no sangue. Em fases iniciais, geralmente não é necessário; em fases avançadas, pode ser recomendado moderar o consumo, sempre orientado por exames.
O consumo excessivo de proteína pode sobrecarregar os rins em alguns estágios, mas a quantidade ideal varia por paciente e deve ser ajustada por nutricionista, sem cortes generalizados sem orientação.
A água de coco é rica em potássio, o que pode ser um problema em estágios avançados da doença. Vale confirmar com o médico ou nutricionista se o consumo é adequado ao seu caso.
Não. As necessidades nutricionais mudam com a diálise, incluindo, em geral, maior necessidade de proteína, o que exige orientação nutricional específica para essa fase do tratamento.
Agende uma consulta e receba um plano adequado ao seu estágio e exames.
Escrito por Dr. Pedro Mendes Filho
Nefrologista em Brasília · CRM-DF 15003 · RQE 10584
Coordenador de Nefrologia do Hospital Brasília e Diretor Científico da SBN-DF. Conheça o Dr. Pedro →