Não. A grande maioria das pessoas com doença renal crônica nunca chega a precisar de diálise — o tratamento conservador é a regra, não a exceção.
A doença renal crônica é classificada em cinco estágios, de acordo com a Taxa de Filtração Glomerular estimada (TFGe). Nos estágios 1 a 3, a função renal está reduzida, mas ainda em níveis compatíveis com uma vida normal, geralmente sem sintomas. No estágio 4, a função já está bastante comprometida e exige acompanhamento mais próximo. Só no estágio 5 — quando a TFGe cai abaixo de cerca de 15 mL/min — a diálise ou o transplante passam a ser considerados, e mesmo assim nem sempre de forma imediata.
Ou seja: ter "insuficiência renal" (termo usado de forma genérica para qualquer perda de função) está longe de significar que a diálise é inevitável ou iminente.
Nos estágios 1 a 4, o foco do tratamento é conservador: preservar ao máximo a função renal que ainda existe e desacelerar a progressão da doença. Isso é feito com um conjunto de medidas que, para muitas pessoas, é suficiente para nunca chegar à diálise:
Manter a pressão na meta individualizada reduz diretamente a velocidade de perda de função renal.
Em quem tem diabetes, a glicemia bem controlada é uma das intervenções mais eficazes para proteger os rins.
Redução de sódio e, em fases mais avançadas, ajuste de proteína e potássio, sempre orientados por médico ou nutricionista.
IECA/BRA e iSGLT2, entre outras, reduzem a proteinúria e desaceleram a progressão da doença renal.
A diálise costuma ser considerada apenas no estágio 5, quando a função renal já está muito reduzida e começam a surgir sintomas de acúmulo de toxinas (uremia) que o tratamento conservador não consegue mais controlar — como inchaço importante, fraqueza intensa, náuseas persistentes ou alterações laboratoriais graves. Mesmo nesse estágio, a decisão de iniciar diálise é individualizada e discutida caso a caso, considerando também a possibilidade de transplante renal.
Vale destacar que muitas pessoas passam décadas nos estágios 2 e 3 sem nunca progredir para o estágio 5, especialmente quando a causa de base (diabetes, hipertensão) está bem controlada.
Receber o diagnóstico de doença renal crônica não é sinônimo de diálise no horizonte próximo. Na maioria dos casos, o objetivo do tratamento é justamente evitar que isso aconteça — e isso é alcançável com acompanhamento adequado.
O primeiro passo é calcular sua TFGe a partir da creatinina, idade e sexo. Se você já tem exames em mãos, pode calcular sua função renal e ver a classificação de risco aqui. Se ainda não sabe quando pedir os exames, veja como avaliar a função renal: exames, valores e quando fazer. Quem tem proteinúria associada também deve conhecer as opções de tratamento — veja proteína na urina (proteinúria) tem tratamento?
"Insuficiência renal" é um termo genérico, usado por vezes para qualquer perda de função renal. Doença renal crônica é o termo técnico que engloba os cinco estágios, do mais leve ao mais grave — apenas o último costuma exigir diálise.
Não é garantido, mas o tratamento conservador bem seguido reduz significativamente a velocidade de progressão. Muitas pessoas estabilizam por anos ou décadas nos estágios iniciais.
Sim, o transplante renal é uma alternativa (ou complemento posterior) à diálise para pessoas elegíveis. Em alguns casos, também se opta pelo tratamento conservador paliativo, sem diálise, dependendo de idade, outras doenças e preferência do paciente.
Não. A diálise é uma etapa do cuidado renal para quem chega ao estágio mais avançado, não um sinal de fracasso do tratamento anterior, que segue sendo o que permitiu retardar essa fase o máximo possível.
Agende uma consulta e converse com um nefrologista sobre o melhor plano de tratamento conservador para o seu caso.
Escrito por Dr. Pedro Mendes Filho
Nefrologista em Brasília · CRM-DF 15003 · RQE 10584
Coordenador de Nefrologia do Hospital Brasília e Diretor Científico da SBN-DF. Conheça o Dr. Pedro →