Por que a doença renal costuma ser descoberta tarde — e o que isso muda na forma de cuidar dos seus rins.
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Se você perguntar para alguém na rua o que o coração faz, a resposta vem na hora: bombear sangue. Pergunte sobre o pulmão: respirar. Agora pergunte sobre o rim — a maioria hesita, ou resume a uma única função: "fazer xixi".
Essa ideia simplificada é um dos maiores obstáculos para a saúde renal no Brasil. Os rins fazem muito mais do que filtrar urina, e é justamente por trabalharem em silêncio, sem dor e sem sintomas na maior parte do tempo, que a doença renal costuma ser descoberta tarde — quando já perdeu boa parte da sua capacidade de reserva.
Cada rim tem cerca de um milhão de pequenas unidades de filtragem, os néfrons. Juntos, eles processam praticamente todo o volume de sangue do corpo várias vezes ao dia, e cumprem pelo menos cinco funções que vão muito além de produzir urina:
Os rins têm uma capacidade de reserva enorme.
É possível perder até metade da função renal sem sentir absolutamente nada. Não há dor, não há um sintoma de alarme óbvio — ao contrário de uma dor no peito ou falta de ar.
Quaando sintomas como inchaço, cansaço excessivo ou alterações na urina aparecem, frequentemente a função renal já caiu bastante. É por isso que a doença renal crônica é, hoje, subdiagnosticada: estima-se que a maioria das pessoas que a têm ainda não sabe.
Alguns grupos têm risco elevado e se beneficiam de rastreamento regular, mesmo sem sintomas:
Para esse rastreamento, dois exames simples já dizem muito: a creatinina no sangue (que permite calcular a taxa de filtração glomerular) e o exame de urina, que detecta proteína ou sangue antes que qualquer sintoma apareça.
Este é o primeiro capítulo de uma série sobre saúde renal que vou publicar aqui no site, com uma missão simples: tirar o rim do silêncio. Nos próximos capítulos, vamos falar sobre as causas mais comuns de doença renal, como interpretar os principais exames, o que muda na rotina de quem tem diagnóstico, e quando procurar um nefrologista.
Na maioria das vezes, não — pelo menos não nas fases iniciais. É possível ter função renal reduzida e nenhum sintoma perceptível, o que reforça a importância dos exames de rotina em quem tem fatores de risco.
Creatinina no sangue e exame de urina (EAS) são o ponto de partida — acessíveis, rápidos e capazes de identificar alterações antes de qualquer sintoma.
Sim, embora o risco seja menor. Histórico familiar, uso frequente de anti-inflamatórios e idade acima de 60 anos também justificam avaliação periódica.
Agende uma consulta e converse com um nefrologista sobre os exames certos para avaliar a saúde dos seus rins.
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