Quando o coração adoece, os rins sentem, e o contrário também acontece. Entenda os 5 tipos, os sinais de alerta e os cuidados que protegem os dois órgãos.
A síndrome cardiorrenal acontece quando o coração e os rins adoecem em conjunto: o problema em um deles provoca ou piora o problema no outro. Existem cinco tipos, definidos pelo órgão que adoece primeiro e pelo ritmo do quadro, que pode ser agudo (de repente) ou crônico (ao longo do tempo). O tratamento depende do tipo, mas, na maioria dos casos, o objetivo central é retirar o excesso de líquido do corpo protegendo ao máximo os rins.
É um conjunto de situações em que a doença de um órgão, o coração ou o rim, provoca doença no outro, de forma aguda ou crônica [1][2]. O coração bombeia o sangue. Os rins filtram esse sangue, controlam a quantidade de água e de sal no corpo e ajudam a regular a pressão. Quando um dos dois falha, o outro é sobrecarregado.
Ela faz parte de um quadro mais amplo, a síndrome cardiovascular-renal-metabólica (CKM), que inclui também obesidade, diabetes e outras alterações do metabolismo.
Os dois órgãos estão ligados por três caminhos principais, que aparecem em todos os tipos da síndrome [1][2]:
Quando o coração bombeia mal, os rins passam a reter sal e água. O excesso de líquido causa congestão e sobrecarrega ainda mais o coração.
O corpo ativa sistemas de alerta: hormônios que retêm sal (o sistema renina-angiotensina-aldosterona) e o sistema nervoso de estresse. Mantidos por muito tempo, eles lesam os dois órgãos.
Inflamação e estresse oxidativo agridem os tecidos do coração e dos rins ao mesmo tempo.
A classificação aceita internacionalmente divide a síndrome em cinco tipos, de acordo com o órgão que adoece primeiro e com a velocidade do processo [1][3][4]. Nos tipos 1 e 2 (cardiorrenais) o problema começa no coração; nos tipos 3 e 4 (renocardíacos), no rim.
Insuficiência cardíaca descompensada ou choque cardiogênico levando a lesão renal aguda.
Insuficiência cardíaca de longa data levando a doença renal crônica progressiva.
Piora súbita da função renal (por exemplo, por falta de circulação ou glomerulonefrite) causando insuficiência cardíaca, arritmia ou isquemia.
Doença renal crônica reduzindo a função do coração e elevando o risco cardiovascular.
Uma doença do corpo todo, como sepse ou diabetes, afeta coração e rim ao mesmo tempo.
Agudo: começa de repente.
Crônico: evolui ao longo de meses ou anos.
Uma proposta mais recente sugere acrescentar à classificação informações sobre doença nas válvulas do coração e sobre o volume de líquido no corpo (excesso ou falta), mas essa atualização ainda precisa ser validada [3].
Os sinais mais comuns estão ligados ao acúmulo de líquido e à queda da função do coração e dos rins:
Esses sinais não confirmam a síndrome por si só, porque podem ter outras causas. O diagnóstico depende de avaliação médica e de exames. Veja também inchaço nos olhos e nos pés tem a ver com os rins? e os primeiros sinais de que o rim está falhando.
Quando a insuficiência cardíaca descompensa, a base do tratamento é a descongestão, isto é, retirar o excesso de líquido com atenção constante à função dos rins [6][7]. A equipe médica segue uma escada, das medidas mais simples às mais complexas:
A furosemida é a primeira escolha. Em pacientes instáveis, é dada na veia, em doses isoladas ou em infusão contínua [6].
Uma dose na veia seguida da medida da urina produzida. A resposta ajuda a prever o risco de a lesão renal progredir e de ser necessária diálise [6].
Quando o corpo resiste ao diurético, associam-se outros, como tiazídicos, espironolactona ou tolvaptan, com controle cuidadoso dos sais do sangue. Essas estratégias ainda não mostraram melhora dos desfechos mais importantes [6][7].
Em pequeno volume e em casos selecionados, pode melhorar a resposta ao diurético [6][7].
Como dapagliflozina e empagliflozina. Ajudam a eliminar líquido e fazem parte do tratamento padrão da insuficiência cardíaca, qualquer que seja a força de bombeamento do coração [7].
Retirada de líquido por uma máquina, reservada para quem realmente não responde aos diuréticos. Em estudos, não foi melhor que o ajuste cuidadoso dos diuréticos e elevou mais a creatinina, por isso não é primeira linha [6][7].
Indicada em casos que não respondem, sobretudo quando a função dos rins está gravemente comprometida [6]. Saiba mais em como funciona a hemodiálise.
Nos tipos 3 e 4, em que o rim adoece primeiro, o foco é controlar a doença renal de base e reduzir o risco para o coração: tratar a pressão alta, a anemia, as alterações de minerais no sangue e a inflamação [6].
No tipo 5, trata-se a doença que afeta os dois órgãos ao mesmo tempo, como a sepse, com suporte adequado da circulação, evitando pressão baixa e queda do bombeamento do coração. Até hoje, nenhum medicamento que atua nos vasos e na pressão demonstrou prevenir ou tratar a síndrome cardiorrenal [6].
Para quem convive com insuficiência cardíaca e doença renal crônica (tipos 2 e 4), alguns hábitos fazem diferença:
Ganho de 1 a 2 kg em poucos dias pode ser líquido acumulado. Avise sua equipe.
Menos sal ajuda a evitar retenção de líquido e a controlar a pressão. Veja o que o doente renal crônico deve evitar.
Ibuprofeno, diclofenaco e similares podem piorar rins e coração. Pergunte antes de usar qualquer remédio novo.
Ao iniciar alguns remédios que protegem rins e coração, uma alta leve da creatinina é esperada. Entenda em remédio de pressão estraga o rim?
A escolha e a dose de cada medicamento são definidas caso a caso. Não use diurético por conta própria nem altere a dose sem orientação médica.
Pessoas com insuficiência cardíaca, doença renal, diabetes ou pressão alta se beneficiam de acompanhamento regular, porque coração e rins costumam precisar de cuidado conjunto. Exames simples, como a creatinina e a albumina na urina, mostram como estão os rins (veja como avaliar a função renal). Procure atendimento sem demora se surgirem falta de ar intensa, inchaço que aumenta rapidamente ou queda importante na quantidade de urina.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é avaliado de forma individual.
Depende do tipo. Nos quadros agudos, a função dos rins pode se recuperar total ou parcialmente com o tratamento. Nos crônicos, o objetivo é frear a progressão e proteger coração e rins a longo prazo.
Na maioria dos casos, não. A diálise fica reservada para situações em que os rins estão gravemente comprometidos e o tratamento com remédios não funciona.
O diurético não lesa o rim diretamente, mas pode alterar os exames se a dose estiver acima do necessário. Por isso o ajuste é feito com acompanhamento de creatinina e sais do sangue. Nunca altere a dose por conta própria.
A síndrome cardiorrenal descreve a relação direta entre coração e rins. A síndrome CKM é mais ampla e inclui também obesidade, diabetes e outras alterações do metabolismo, organizadas em estágios.
Os dois. O cuidado conjunto entre cardiologia e nefrologia é o que melhor equilibra a retirada de líquido, a proteção dos rins e os remédios para o coração.
Agende uma avaliação em Brasília para cuidar dos rins em conjunto com o coração.
Agendar consultaEscrito por Dr. Pedro Mendes Filho
Nefrologista em Brasília · CRM-DF 15003 · RQE 10584
Coordenador de Nefrologia do Hospital Brasília e Diretor Científico da SBN-DF. Conheça o Dr. Pedro →